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Testes in vitro na área oncológica: do uso na doença ao futuro rastreio da população

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Testes in vitro na área oncológica: do uso na doença ao futuro rastreio da população

A APIFARMA realizou no dia 24 de Novembro o webinar “A importância dos testes de diagnóstico na luta contra o cancro”. Nesta iniciativa vários especialistas debateram importância actual e as perspectivas futuras destas ferramentas na prevenção da doença oncológica.

 

A inovação clínica deu ao diagnóstico laboratorial um protagonismo essencial na luta contra o cancro. Do rastreio da doença, ao apoio no correcto diagnóstico e no tratamento, o seu papel é essencial na medicina moderna.

 

Como exemplo destes testes, a oncologista Cláudia Vieira, do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, abordou o tema das biopsias líquidas que, de forma não invasiva através da “colheita de sangue, ou até da colheita de urina ou saliva”, permitem fazer o diagnóstico do cancro, mas também avaliar a resposta ao tratamento ou a evolução do tumor. Estes testes procuram “mutações que não estão presentes nas células normais e que funcionam como biomarcadores”.

 

“Quando afinarmos isto tudo no doente oncológico”, afirmou, será possível “passar para o rastreio da população geral”. Este é, segundo Claúdia Vieira, um objectivo que “a comunidade científica tem perseguido desde sempre: o poder fazer uma análise tumoral que do ponto de vista de sensibilidade e especificidade seja adequada para poder ser utilizada como rastreio populacional e assim evitar exames mais agressivos e invasivos”.

 

A oncologista do IPO do Porto mencionou ainda a importância destas ferramentas inovadoras noutras áreas clínicas, destacando, como exemplo, “o seu impacto no controlo da dor”, num universo de possibilidades onde “há muito mais para lá do que conseguimos imaginar”.

 

Heitor Costa, da Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica – AICIB, considerou “fundamental” que o país faça mais ensaios clínicos nesta área – o IPO do Porto, por exemplo, tem uma unidade de ensaios clínicos de fase precoce – , bem como a necessidade de “defender políticas, quer em Portugal e quer nos restantes países da União Europeia, para dar passos concretos para que se promova a  aprovação em simultâneo dos medicamentos inovadores e dos testes a eles associados”.

 

Uma necessidade corroborada por Sandra Novais, da APIFARMA, que sublinhou que “o crescimento e desenvolvimento de testes na área da oncologia tem sido impressionante nos últimos anos”, sendo esta uma área onde a “indústria farmacêutica tem feito e continuará a fazer investimentos”. Sandra Novais frisou, igualmente, a necessidade de toda “esta inovação ser acompanhada pela implementação de uma ‘Via Verde’ de acessibilidade a qualquer novo teste”.

 

Sandra Novais explicou que o investimento da Indústria farmacêutica vai além do lançamento de novos testes laboratoriais tradicionais e moleculares. Passa, por exemplo, pela “automatização que permite dar uma resposta mais célere, quer a clínicos, quer a pacientes”. A inteligência artificial, referiu, é uma componente “muito importante” em que a indústria farmacêutica está a trabalhar, “nomeadamente através do desenvolvimento de algoritmos que ajudem a ter diagnósticos mais céleres”.

 

Também presente no webinar, o presidente da Administração Central do Sistema de Saúde – ACSS, Victor Herdeiro, recordou a importância dos testes in vitro nomeadamente por “aumentarem a possibilidade de uma medicina personalizada, mas com mais efectividade”. Nos últimos anos, explicou, em sede de contratualização com hospitais” estão previstos “vários indicadores que são indutores de tudo o que está relacionado com o diagnóstico precoce” e estão “previstos cerca de 5 milhões de euros para executar em rastreios oncológicos nos cuidados de saúde primários”.

 

Tamara Milagre, presidente da EVITA – Associação de Apoio a Portadores de Alterações nos Genes Relacionados com Cancro Hereditário, começou por sublinhar o facto de o sistema de saúde estar “muito focado no remédio em vez da prevenção”, recordando que o “cancro hereditário representa 10% de todos os cancros” e que muitas vezes só é detectado em pessoas onde a doença já se manifestou. A consequência é “perdermos 50% de portadores que não têm história pessoal evidente”.

 

Foi esta difícil realidade que a levou a propor à AICIB o lançamento de “um projecto piloto” do rastreio da mutação fundadora portuguesa no gene BRCA2. Defendendo que todas as mulheres portuguesas a partir dos 25 anos deveriam ser testadas para esta mutação, argumentou que fazendo “as contas da carga socio económica do cancro hereditário, teremos muito dinheiro para fazer testes se evitarmos a carga da doença em poucas mulheres” já que os custos do seu tratamento ascendem a “centenas de milhares de euros”.

 

Veja aqui o Webinar:

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