• Home
  • Notícias
  • Vacinação | Opção estratégica de prevenção ao longo da vida

APIFARMA, Vacinas

Vacinação | Opção estratégica de prevenção ao longo da vida

Vacinação | Opção estratégica de prevenção ao longo da vida

A vacinação é um pilar da prevenção, da sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde e da garantia de mais saúde em populações cada vez mais envelhecidas. Estes foram os temas mais marcantes da conferência “Preparar o futuro | O Valor da Vacinação em Saúde”, que decorreu dia 28 de Abril, no Centro Cultural de Belém, e onde foi apresentado o estudo “Percepção do Valor das Vacinas 2026”.

Em representação da Ministra da Saúde, Ana Povo, a directora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, abriu a conferência, sublinhando a capacidade do sistema em “incorporar inovação” e responder a novos desafios. Destacou que o investimento em vacinação se traduz em “ganhos que só se tornam plenamente visíveis daqui a anos” – doença evitada, internamentos prevenidos e vidas não interrompidas –, defendendo que “os sistemas de saúde mais sustentáveis serão aqueles que conseguirem equilibrar, com inteligência, tratamento e prevenção”.

 

Na sua intervenção, João Almeida Lopes, presidente da APIFARMA, reforçou a importância da prevenção que não é uma opção, considerando-a uma “necessidade estratégica”, pelo seu impacto, eficácia e retorno ao longo do tempo. Sublinhou que, sendo o aumento da longevidade uma “conquista colectiva”, o foco das políticas públicas deve passar por garantir mais anos de vida “com saúde, autonomia e dignidade”, apontando a vacinação ao longo da vida como uma “prioridade que Portugal não pode continuar a adiar”.

Paulo Teixeira, vice-presidente da APIFARMA e coordenador do Grupo de Trabalho Vacinas, destacou os resultados do Programa Nacional de Vacinação, sublinhando que a integração da ciência em políticas públicas sólidas se traduz em vidas protegidas. Alertou ainda que a vacinação deve ser encarada como um pilar estrutural da prevenção e da resiliência dos sistemas de saúde.

A conferência contou com duas mesas de debate. Na primeira participaram Cláudia Vicente, coordenadora do Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, José Hermínio Gomes, presidente da Mesa do Colégio da Especialidade de Enfermagem Comunitária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Gonçalves, presidente da Associação Asma Grave, e Natália Pereira, da Unidade de Vacinas, Imunização e Produtos Biológicos da Direcção-Geral da Saúde.

A necessidade de desenvolver a vacinação para um envelhecimento protegido, encarando-o como um investimento e não como uma despesa, foi frisada por Hermínio Gomes. No mesmo sentido, Cláudia Vicente reforçou a dimensão económica da prevenção, lembrando que o custo da vacinação é claramente inferior ao custo da doença que se evita.

Natália Pereira defendeu um trabalho conjunto entre todos os parceiros, e antecipou novidades neste domínio, enquanto Ana Gonçalves alertou para a importância de reforçar a adesão à vacinação, nomeadamente contra a gripe.

O segundo painel, subordinado ao mote “da evidência à acção”, contou com a participação de André Peralta, subdiretor-geral da Saúde, Miguel Guimarães, médico e deputado da Comissão Parlamentar de Saúde, José Albino, presidente da Associação de doentes Respira, e Paulo Teixeira.

Alertando que Portugal investe ainda pouco em prevenção, o vice-presidente da APIFARMA sublinhou a necessidade de alinhar políticas de saúde com os meios adequados. Destacou que a vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças, num contexto de população cada vez mais envelhecida, defendendo a importância de reforçar a evidência junto dos decisores políticos.

Se Miguel Guimarães defendeu um Orçamento do Estado mais robusto para a saúde, com maior aposta na promoção da saúde e na prevenção da doença, o subdiretor-geral da Saúde, André Peralta, reafirmou o compromisso de continuar a investir de forma consistente na vacinação, ajustando a sua implementação à medida que surgem novas soluções. Destacou ainda a importância de reforçar o foco na prevenção e nos anos de vida saudável.

Por fim, José Albino sublinhou que a literacia é fundamental, tanto para os cidadãos como para os profissionais de saúde.

Abordando o tema “Do Conhecimento à Prática – Maximizando o Valor da Vacinação”, Henrique Lopes, do NOVA Center for Global Health, enquadrou a vacinação como uma prioridade estratégica à escala global, destacando o seu impacto na sustentabilidade dos sistemas de saúde e na longevidade. Referiu, neste contexto, projectos como o “Let’s Control Flu”, uma ferramenta digital interactiva para simular políticas de vacinação, e o “+ Longevidade”, uma iniciativa dedicada à promoção da vacinação de adultos.