A APIFARMA e a EUPATI promoveram hoje, 20 de Maio, na Culturgest, a conferência “IA Responsável em Ensaios Clínicos: Inovação com o doente no centro”, reunindo reguladores, representantes de doentes, indústria, academia e profissionais de saúde em torno do papel da Inteligência Artificial na investigação clínica.
Em representação da secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, o presidente do Conselho Directivo do INFARMED, Rui Santos Ivo, destacou o crescimento do número de ensaios clínicos realizados em Portugal, acompanhado por uma redução dos prazos de resposta por parte dos reguladores. Sublinhou que “Portugal dispõe de centros de investigação de excelência, de uma indústria farmacêutica dinâmica e de uma comunidade científica qualificada”. E assinalou, ainda, o objectivo da União Europeia de “melhorar as condições para a investigação clínica se desenvolver no espaço europeu”, frisando que “Portugal tem todas as condições para ser parte activa desta transformação”.
Do lado da indústria farmacêutica, Paulo Teixeira, vice-presidente da APIFARMA, disse que num contexto em que os ensaios clínicos são “processos longos, complexos e altamente exigentes, a inteligência artificial permite acelerar, optimizar e tornar mais eficiente cada uma das suas etapas”. Avançou que Portugal tem hoje cerca de 616 ensaios
clínicos a decorrer, envolvendo milhares de doentes e profissionais de saúde em todo o país, sendo 92% promovidos pela indústria farmacêutica. “Este é, sem dúvida, um sinal claro de progresso, resultado também do investimento que tem vindo a ser feito pelo Governo”, afirmou, expressando a necessidade de progressão : “não é suficiente. Portugal pode fazer mais e melhor. Basta olhar para a realidade internacional.”
Pela EUPATI-PT, Elsa Frazão Mateus, a sua presidente, reconheceu que a “investigação clínica enfrenta hoje desafios crescentes, associados à complexidade dos estudos, aos tempos de desenvolvimento, aos custos e à exigência de produzir evidência cada vez mais robusta e relevante”. A Inteligência Artificial, acrescentou, vem “abrindo novas possibilidades em diferentes momentos do ciclo de vida dos ensaios”.
Explicando “Como a Inteligência Artificial está a transformar a investigação clínica e a criar oportunidades para as pessoas com doença”, António Sampaio Soares, coordenador do Curso de Inteligência Artificial em Investigação Clínica da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, defendeu a necessidade de os doentes em Portugal serem “mais proactivos”, lembrando que estas ferramentas estão a colocar “cada vez mais nas mãos do doente essa capacidade de intervenção”.
Pedro Fradinho Marques, coordenador da Unidade de Advanced Analytics e Intelligence dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), abordou o tema “Dados, Inteligência Artificial e Responsabilidade | O papel do Estado na inovação centrada no doente”. Anunciou que o data lake que a SPMS
está a criar – “um repositório de dados interpartilhável entre o sector público, privado, social e outras entidades como o INFARMED, a AICIB e a CEIC” – estará pronto até ao final do ano, sublinhando que “só com bons dados poderemos ter mais e melhor investigação, e depois mais e melhor inovação”.

Moderada por Ricardo Fernandes (GAT e EUPATI Portugal), a primeira mesa – “IA Responsável em Ensaios Clínicos” – contou com Joel Passarinho (INFARMED), Ricardo Encarnação (Roche Farmacêutica), Ricardo M. Fernandes (Stand4Kids/FMUL) e Vera Gomes (EUPATI Portugal). Debateu-se o potencial transformador da IA na investigação clínica, a literacia e a capacitação das pessoas com doença como condições indispensáveis, bem como a necessidade de equilíbrio entre inovação e segurança. Foi ainda destacada a importância de não esquecer a intervenção humana e manter o doente no centro do processo.

Já o segundo painel – “Centralizar prioridades da pessoa com doença | Consentimento, inclusão e literacia quando a IA entra no ensaio clínico” – foi moderado por Paula Ribeiro Alves (Autónoma Academy), com Ana Vieira (EUPATI Portugal), Jesús Cotrina Luque (CEIC), Mariana Moreira (AICIB), Micaela Monteiro (CUF) e Vera Lúcia Raposo (FDUNL). Neste painel, discutiu-se o consentimento informado como processo contínuo e entendível pela pessoa com doença, bem como o envolvimento e representatividade na investigação: não existe investigação eficaz sem as pessoas com doença e a sociedade.
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