A importância do autocuidado para a sustentabilidade do sistema de saúde foi hoje, 5 de Maio, o tema central da conferência “O Papel do Autocuidado em Portugal“, promovida pela APIFARMA no Centro Cultural de Belém.
Na sua intervenção, a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, referiu-se às farmácias como “a porta de entrada para muitos cuidados de saúde” e afirmou que “o autocuidado permitiu tirar muitos doentes das urgências dos hospitais nos últimos anos”. Defendeu, por isso, a necessidade de “mudar completamente de paradigma nas políticas públicas de saúde”, sublinhando que “o que acrescenta valor não é fazer mais consultas ou cirurgias”. O mais importante, para a secretária de Estado, “não é afastar as pessoas do Serviço Nacional de Saúde, dos cuidados de saúde, é envolver as pessoas no tratamento – e deixo aqui o meu compromisso público para o fazer”.
Na intervenção de abertura da conferência, o presidente da APIFARMA, João Almeida Lopes, lembrou que “o autocuidado liberta capacidade no SNS”, pois cada consulta evitada, cada ida às urgências que não acontece, “significa mais tempo e mais recursos para quem realmente precisa”. A importância do autocuidado “está sustentada em evidência” e o “verdadeiro desafio” é assumi-lo “como parte integrante de um sistema de saúde mais eficiente, mais sustentável e mais próximo dos cidadãos”.
Trazendo uma perspectiva europeia, Luís Rhodes Baião, director de Assuntos Governamentais e Públicos da Associação Europeia da Indústria de Autocuidados, explicou que, na Europa, “1,2 mil milhões de problemas de saúde menores por ano são geridos autonomamente com a ajuda de medicamentos não sujeitos a receita médica”, o que representa poupanças de “34 mil milhões de euros para os sistemas nacionais de saúde e para as economias”. Fazendo uma extrapolação para o futuro, a potenciação do autocuidado permitiria “libertar 58.000 médicos de clínica geral, na Europa, para outras funções no sistema de saúde”.
Trazendo o foco para a realidade nacional, Mariana Jerónimo, da 2Logical, apresentou os dados do estudo “O Papel do Autocuidado em Portugal” realizado para a APIFARMA. Entre as várias conclusões do estudo, destacou a sua relevante expressão financeira no país: o custo médio de um episódio tratado através do “recurso ao médico ascende a 93€, comparativamente a 18€ no autocuidado”, o que se traduz numa poupança média de cerca de 80% por episódio. Quando extrapolado para a população, o autocuidado gera uma “poupança anual estimada de cerca de 9,6 mil milhões de euros”, que correspondem a 47% de custos evitados para o SNS e 53% para os cidadãos. Cada aumento de 1 ponto percentual na sua adopção, “poderá gerar cerca de 239 milhões de euros adicionais por ano”.
A conferência incluiu ainda duas mesas redondas. A primeira reuniu Ana Sampaio, da Plataforma Saúde em Diálogo, Joana Álvares, CEO & fundadora do Projeto Beautyst.pt e Foyer Health and Beauty Summit, João Tomás Oliveira, médico, e Mariana Jerónimo, da 2Logical.
No segundo painel, a presidente da Associação Nacional das Farmácias, Ema Paulino, destacou a rede de farmácias “altamente qualificada” existente em Portugal, acrescentando que deveria “haver uma formalização do papel que as farmácias assumem como porta de entrada no sistema de saúde”. Em complemento, o aumento da pressão sobre o SNS, e o contributo do autocuidado neste contexto, foi focado por João Almeida Lopes, também presente neste painel: “o SNS, nos últimos três anos, teve mais 700 mil utentes”, desafio a que se somam as consequências para o sistema de saúde do envelhecimento da população, reforçou.
Miguel Arriaga, director de Serviços de Prevenção da Doença e Promoção da Saúde da Direcção-Geral da Saúde, avançou que em Junho vai ser lançado um programa de estudos escolares, adaptado ao grau académico, para passar “informação que seja útil, pertinente, que possa ser adequada em função das características destas populações específicas”. A encerrar o painel, Sandra Monteiro, da Direcção de Avaliação de Medicamentos do INFARMED, apresentou o papel do Infarmed como regulador que aprova os MNSRM, que se foca na avaliação do benefício/risco dos medicamentos em que é avaliado o risco da sua dispensa sem receita médica e que tem vindo ao longo dos tempos a dinamizar esta área em Portugal o que é refletido pela 4ª posição que a AESGP coloca Portugal tendo em consideração o nº de substância ativas disponíveis sem receita médica.
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