O presidente da APIFARMA, João Almeida Lopes, defendeu a necessidade de reduzir a burocracia e criar condições mais favoráveis ao investimento em inovação, durante a sua participação no painel “O Desafio da Longevidade: Repensar a Avaliação das Tecnologias de Saúde para Impulsionar a Inovação, o Acesso e a Competitividade”, integrado no Cascais International Health Forum 2026, que decorreu nos dias 24 e 25 de setembro.
Num debate que reuniu diferentes perspetivas do setor da saúde, João Almeida Lopes partilhou o painel com Filipa Mota e Costa, diretora-geral da Johnson & Johnson Innovative Medicine Portugal, Jaime Melancia, presidente da Plataforma em Diálogo, e Eduardo Costa, membro do Conselho Diretivo do INFARMED, numa reflexão sobre os desafios que o envelhecimento da população coloca aos sistemas de saúde e sobre a forma como a avaliação das tecnologias de saúde pode contribuir para promover simultaneamente inovação, acesso e competitividade.
Na sua intervenção, o presidente da APIFARMA destacou o potencial da Europa para gerar inovação farmacêutica, alertando, contudo, para a necessidade de criar um enquadramento regulatório mais atrativo e eficiente. Apesar de considerar positiva a revisão do Sistema Nacional de Avaliação de Tecnologias de Saúde (SiNATS), salientou a importância da rápida regulamentação do sistema e da adoção de mecanismos que permitam acelerar o acesso dos doentes às inovações terapêuticas.
João Almeida Lopes sublinhou ainda que a competitividade da Europa depende, em grande medida, da sua capacidade para captar e reter investimento em investigação e desenvolvimento, defendendo processos regulatórios mais simples, previsíveis e céleres. A este propósito, referiu que os sistemas de avaliação e aprovação de medicamentos devem equilibrar o rigor científico com a necessidade de garantir que a inovação chega mais rapidamente aos doentes.
O debate permitiu igualmente refletir sobre a sustentabilidade dos sistemas de saúde, a importância de avaliar os resultados efetivos das tecnologias de saúde e a necessidade de colocar o doente no centro das decisões. Filipa Mota e Costa destacou o papel da inovação na resposta aos desafios demográficos e na melhoria dos resultados em saúde; Jaime Melancia trouxe a perspetiva dos cidadãos e dos doentes, reforçando a importância do acesso e da equidade; enquanto Eduardo Costa abordou o papel da avaliação das tecnologias de saúde na tomada de decisão e na sustentabilidade do sistema.
Entre os temas abordados, João Almeida Lopes chamou também a atenção para a necessidade de um financiamento adequado do Serviço Nacional de Saúde, assinalando que o aumento do número de utentes exige uma adaptação correspondente da capacidade instalada e dos recursos disponíveis.
A participação da APIFARMA neste fórum voltou a evidenciar a importância do diálogo entre reguladores, indústria, profissionais de saúde e representantes dos doentes para encontrar soluções que promovam simultaneamente inovação, acesso e sustentabilidade, contribuindo para uma melhor resposta aos desafios da longevidade e da saúde do futuro.